quarta-feira, 26 de março de 2014

II Congresso Baiano de Ed. Inclussiva


A pessoa surdo-cega é "aquela que tem uma perda substancial da visão e da audição, de tal forma que a combinação das duas deficiências cause extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, de lazer e sociais", como consta nos documentos da I Conferência Mundial Helen Keller sobre Serviços para os Surdo-cegos Jovens e Adultos.
Segundo informações do Instituto Benjamim Constant, do Rio de Janeiro, o comprometimento simultâneo de ambos os sentidos varia de pessoa para pessoa. Alguns surdo-cegos têm audição residual e até a fala, nos casos em que a surdez evoluiu depois de o indivíduo já ter adquirido a linguagem oral (os chamados “pós-simbólicos”). Os casos mais graves são os “pré-simbólicos”, de surdo-cegueira congênita ou adquirida antes da aquisição da linguagem. Estes, sem dúvida, precisam de mais atenção para desenvolver formas alternativas de comunicação.
Como lidar com a surdo-cegueira na escola?
Para a psicopedagoga especialista em Educação Inclusiva, Daniela Alonso, crianças com surdo-cegueira costumam apresentar problemas na comunicação e na mobilidade. Podem, também, demonstrar reações de isolamento ou ser hiperativas. Por isso, contar com o atendimento educacional especializado (AEE) é primordial para a inclusão, para melhorar da qualidade de vida da pessoa surdo-cega e para a orientação dos educadores. É importante lembrar que cada caso é único e cada criança precisa ser estimulada com base em suas habilidades, respeitando-se os tempos de aprendizagem de cada um.
O documento do Ministério da Educação, “Saberes e práticas da inclusão. Dificuldades de comunicação e sinalização: surdo-cegueira e múltipla deficiência sensorial”, diz que o desenvolvimento da comunicação dos alunos surdo-cegos exige atendimento especializado, com estimulação específica e individualizada. Vale lembrar que, quanto mais precoces forem os estímulos, maiores são as chances de a criança adquirir comportamentos sociais adequados e usar os sentidos remanescentes com o melhor aproveitamento possível.
A grande dificuldade das crianças surdo-cegas está, justamente, em desenvolver um modo de aprendizado que compense a desvantagem visual e auditiva e permita o relacionamento com o mundo. Por isso, explorar as potencialidades dos sentidos remanescentes (tato, paladar e olfato) é essencial para a orientação e a percepção, tanto na escola, quanto fora dela. Tornar a escola um espaço fisicamente acessível para essas crianças mais um passo imprescindível para acolhê-las adequadamente.
Uma das alternativas de comunicação para os surdo-cegos pós-simbólicos consiste no sistema Tadoma, também conhecido como “Braille Tátil”. Nessa técnica a pessoa utiliza as mãos para sentir os movimentos da boca, do maxilar e a vibração da garganta do falante, e assim consegue interpretar o que é dito.
Para os surdo-cegos pré-simbólicos, o uso do tato também é fundamental. Antecipar algumas sensações e permitir que sintam a forma dos objetos, associando-os a funções correlatas – a escova de dente indica um momento de higiene ou a colher anuncia que uma refeição será servida, por exemplo - facilita a orientação e propicia um conforto maior para a criança.






SIGN WRITING

SIGN WRITING

É um sistema de escrita visual direta de sinais, desenvolvido pela norte-americana Valerie Sutton (1998), e sistematicamente descrito e desenvolvido em Capovilla e Sutton (2001). Estudiosa da dança, Sutton criou um sistema de notação de coreografias conhecido como DanceWriting. Na década de 70 começou a fazer experiências no registro da fascinante Língua de Sinais. Hoje, SignWriting é usado em todo o mundo. Há também um programa de computador chamado SignWriter (Gleaves & Sutton, 1995), especialmente delineado para esta escrita. No Brasil, SignWriting vem sendo usado em cursos de informática e língua de sinais para crianças surdas (Stampf 1998), escrever estórias de contos infantis em LIBRAS (Strobel 1995), para documentar a gramática da LIBRAS (Quadros 1999), e para documentar os sinais da LIBRAS no Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue de LIBRAS (Capovilla, Raphael e Luz, 2001b e 2001c).
Os sistemas de escrita alfabéticos representam os fonemas de que se compõem as palavras, enquanto que o SignWriting representa os quiremas de que se compõem os sinais. Ele emprega diferentes símbolos para representar os diversos componentes da LIBRAS tais como as configurações de mão; sua localização no espaço, e sua orientação, os tipos formas, frequências e dimensões dos movimentos, expressões faciais e corporais. Uma descrição detalhada pode ser encontrada no Dicionário Enciclopédico Trilingue de LIBRAS, CAPOVILLA Fernando & RAPHAEL Walkíria, ou no endereço www.signwriting.org.
Diferentemente das línguas orais, que podem ser registradas na modalidade escrita, as línguas sinalizadas, historicamente, eram e ainda são, até hoje, na maioria das vezes, registradas fielmente, com o recurso de vídeo.
A escrita de sinais, Sign Writing, foi criada para que, os registros das línguas sinalizadas não dependessem das traduções das línguas orais, que possuem outras estruturas gramaticais e culturais, ocasionando assim distorções. Signwriting é um sistema rico que mostra a forma das línguas de sinais.